O mito sobre a "inutilidade"do Twitter

Não sei se muita gente reparou, mas a mensagem da página inicial do Twitter mudou há pouco tempo. Na mensagem anterior, o usuário era convidado a dizer o que estava fazendo no momento. Agora, ele deve descobrir e compartilhar o que está acontecendo em qualquer parte do mundo. E, de acordo com um estudo americano récem-concluído, essa tentativa de motivar as pessoas a postarem notícias em tempo real não vem dando muito resultado.

Uma consultoria norte-americana, a Pear Analytics, embarcou em estudo sobre como as pessoas estavam usando e consumindo o Twitter. A empresa analisou mensagens aleatórias no microblogging a cada meia hora, diariamente, de 11:oo às 17:00, durante os primeiros dez dias de agosto. Foram recolhidos 2000 posts, em inglês, nos Estados Unidos, que foram classificados em seis categorias: Notícias, Spam, Promoção, Bobagens sem sentido, Bate-papo e o Reenvio de mensagens (retweet – RT). O bate-papo envolve dois usuários que postavam mensagens respondendo à anterior, enquanto que as classificadas como “bobagem sem sentido” eram do tipo “estou comendo um sanduíche”.

Os analistas da Pear Analytics esperavam que a maioria das mensagens fosse de spam ou auto-promoção. Essa crença, segundo os analistas, veio com o crescimento do número de empresas usando o Twitter como ferramenar para aumentar as vendas. Porém, o resultado da pesquisa mostrou que a grande maioria das mensagens, quase 80%, são inutilidades. Abaixo segue a colocação das categorias:

Finalidades dos tweets %
Bobagens sem sentido 40,55
Bate-papo 37,55
Reenvio de mensagens 8,70
Promoções 5,85
Spam 3,75
Notícias 3,60

O Gizmodo, um dos maiores blogs de tecnologia do mundo,publicou recentemente um post com o título “Se apenas 100 pessoas usassem o Twitter”. O resultado? Apenas 5% dos usuários respondem por 75% das mensagens, ou seja, um pequeno número de usuários é que realmente  “faz barulho” no Twitter (e dentro desses usuários há uma grande quantidade que fala bobagens e assuntos sem maior interesses); 50% são classificados como “preguiçosos”, que não twitaram na semana anterior e, 20% têm suas contas inativas.

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A pesquisa não foi realizada aqui no Brasil, mas provavelmente os resultados não seriam muito diferentes. Mas, toda essa história tem o seu lado B. Será mesmo que 80% do que é publicado no Twitter é inutilidade? E o que é inutilidade para você? Eu posso ter um conceito de inutilidade que não é o mesmo que o seu, e o seu é diferente do ciclano e igual ao do fulano. Ou seja, é complicado rotular o que é inutilidade, tendo em vista a subjetividade do assunto e o gosto de cada um. Compartilho com o que este post diz sobre esse mesmo assunto. Em um momento, eles citam o que uma profissional do meio, a Raquel Recuero, disse sobre a “inutilidade do Twitter”. Para ela, nenhuma ferramenta social é um monte de asneiras. As interações são complexas, são econômicas e traduzem parte das redes sociais das pessoas. Mais do que isso, elas influenciam sim, e muito, o universo offline, reconstruindo sentido e criando mobilizações.

Há ainda um outro ponto a se destacar. Não se pode desconsiderar, por exemplo, o sucesso de algumas empresas no Twitter, que estão sabendo fazer o seu papel e estão representando suas marcas de maneiras correta, sem se utilizar de bobeiras, links irrelevantes ou assuntos sem maior interesse. Vale ressaltar algumas, como a Tecnisa, a Dell, a Camiseteria, a AvonBR e inúmeras outras empresas que adentraram esse universo e já colhem bons frutos desse relacionamento 2.0. A cada dia é maior o número de empresas que entram no Twitter e, apesar da grande quantidade que ainda não está sabendo utilizar a ferramenta como se deve, por simplesmente ter “entrado na onda”, há uma parcela significativa que está buscando estar perto de seus consumidores e gerar valor para seus followers.

Este post do blog Dissonância Cognitiva, analisa de forma esplendorosa o estudo feito pela consultoria americana e seus resultados, mostrando as lacunas deste estudo e sua interpretação dos dados divulgados, sobre o qual houve um alarde muito grande e um sensacionalismo na mídia. Segundo o próprio autor, iniciou-se um mito e este mito iniciou-se porque alguém pegou no lado sensacionalista dos dados para o divulgar, e a maior parte das pessoas e dos órgãos de divulgação limitou-se a seguir a mesma bitola sem haver o cuidado de analisar o estudo original ou de perceber se havia ou não erros de avalição por parte da Pear Analytics. É preciso ler os dados originais, interpretar e buscar muitas fontes. O que não dá é para ficar atirando pedras e fazendo “barulho”, sem no mínimo um conhecimento maior sobre o que está se falando mal ou bem.

E para você,  o Twitter traz apenas bobagens?